Um caminho partilhado: guia sobre o método ROPA na Ferticentro

  • Entrevista
  • Guias
28 Nov 2025

O sonho de ser mãe

Ter filhos é um sonho para muitos casais, mas pode parecer mais difícil quando não se encaixa no modelo tradicional de relações heterossexuais. Para casais do mesmo sexo, existem hoje tratamentos de fertilidade consolidados e inclusivos, que possibilitam a parentalidade partilhada.

Se está num casal feminino a explorar opções, é provável que já tenha ouvido falar no método ROPA, também conhecido como fertilização recíproca.

É um tratamento de fertilidade diferenciado, que permite que ambas as parceiras estejam fisicamente envolvidas na origem da criança.

Na Ferticentro, queremos que se sinta informada e confiante das suas escolhas. Neste artigo, explicamos de forma clara como funciona o método ROPA, como decorre o processo na nossa clínica e o que pode vir a sentir ao longo do processo.

Partilhamos também a nossa conversa com um casal que concluiu recentemente o seu tratamento connosco, para lhe dar uma perspetiva leal à experiência real.

 

O que é o método ROPA?

Um casal feminino feliz abraça-se enquanto seguram um teste de gravidez positivo, celebrando o sucesso de um tratamento de FIV com o método ROPA.

ROPA significa Receção de Ovócitos da Parceira. Também é conhecido como maternidade partilhada ou fertilização recíproca. É um tratamento especificamente desenvolvido para casais femininos (do mesmo sexo), no qual ambas as parceiras desempenham um papel biológico na gravidez.

Como o método ROPA permite a participação de ambas as parceiras

Num ciclo de ROPA, ambas as mulheres participam ativamente na gravidez de formas diferentes. Uma das parceiras fornece os óvulos, a mãe genética. Posteriormente, os óvulos são fecundados em laboratório com espermatozoides de um dador. O embrião resultante é depois transferido para o útero da outra parceira, que irá levar a gravidez até ao fim, sendo a mãe gestacional.

É uma forma muito especial de envolver fisicamente ambas as parceiras. Uma contribui com a carga genética e a outra com o ambiente onde o bebé crescerá durante nove meses.

Definir os papéis de cada parceira

Ao iniciar um tratamento de ROPA, uma das primeiras decisões a tomar é quem irá assumir cada papel. Esta é uma decisão muito pessoal e não existe uma escolha certa ou errada. Alguns casais já sabem desde o início, enquanto outros precisam de mais tempo para refletir.

Durante as consultas, a nossa equipa ajuda-vos a tomar uma decisão informada, tendo em conta fatores médicos, como por exemplo:

O nosso objetivo não é decidir por vocês, mas fornecer-vos toda a informação necessária para que se sintam confortáveis e seguras com a vossa escolha.

O passo a passo do processo

Sabemos que os tratamentos de fertilidade podem parecer complexos, sobretudo quando envolvem várias fases diferentes. Para tornar tudo mais simples e previsível, segue uma explicação do processo do método ROPA, passo a passo. Assim, saberá sempre o que está a acontecer em cada momento e o que vem a seguir.

Se quiser mais informações sobre a FIV, pode também consultar o nosso guia para principiantes na FIV.

A primeira consulta e os exames iniciais

Todos os tratamentos de ROPA começam com uma conversa. Na primeira consulta, a nossa equipa irá conhecer-vos melhor, ouvir a vossa história e analisar o vosso histórico médico. Nesta fase, realizamos alguns exames iniciais, como análises ao sangue, para avaliar os níveis hormonais, e uma ecografia, para observar os ovários e o útero. Estes exames permitem-nos adaptar o tratamento às características de cada uma.

Escolha do dador de espermatozoides

Como a ROPA recorre a espermatozoides doados, esta é uma etapa importante do planeamento do tratamento. Na Ferticentro, temos um banco de espermatozoides próprio e trabalhamos também com bancos internacionais de referência, o que garante um leque alargado de opções.

A nossa equipa coordenadora de doação ajuda-vos a navegar a base de dados e a fazer uma escolha informada. Ao selecionar um dador, podem contar com:

  • Perfis completos e detalhados: acesso a uma visão geral e completa de cada dador.  Inclui informação sobre características físicas, personalidade, formação, interesses e motivações.
  • Rastreio genético avançado: damos prioridade à saúde da sua criança. Verificamos a compatibilidade genética entre o dador e a parceira que fornece os óvulos, reduzindo o risco de doenças hereditárias (com testes até 2200 genes).
  • Correspondência personalizada: ajudamos-vos a encontrar um dador dentro das vossas preferências, como o grupo sanguíneo ou características físicas.
  • Acompanhamento do dador: garantimos que todos os dadores estão preparados para a possibilidade de contacto futuro por parte da criança, caso esta o deseje na idade adulta. Assim, garantimos um processo ético e transparente para todas as partes.

A nossa equipa está sempre disponível para esclarecer dúvidas e apoiar-vos em cada decisão, para que possam avançar com confiança.

Estimulação ovárica da mãe genética

vista de perto de uma paciente a administrar uma injeção hormonal em casa, durante a fase de estimulação ovárica de um ciclo de um tratamento de FIV com o método ROPA.

A parceira que irá fornecer os óvulos dá início ao tratamento com a estimulação ovárica. Esta fase envolve a administração de medicação hormonal, normalmente através de pequenas injeções subcutâneas, que podem ser feitas em casa. É normal sentir-se nervosa no início, mas as nossas enfermeiras explicam tudo ao detalhe até se sentirem seguras com o procedimento.

O objetivo desta medicação é estimular os ovários a produzir vários óvulos no mesmo ciclo. Enquanto num ciclo natural é libertado apenas um óvulo, aqui procuramos aumentar esse número para melhorar as probabilidades de encontrar um embrião saudável. Esta fase dura, em média, entre 10 a 12 dias. São realizadas ecografias para acompanhar o crescimento dos folículos.

É normal sentir alguma incerteza antes da primeira consulta, por isso, preparámos também um guia sobre como se preparar para o primeiro ciclo de FIV, para reduzir a ansiedade e esclarecer dúvidas comuns.

A recolha dos óvulos

Quando os óvulos estão prontos, realiza-se a sua recolha. É um procedimento rápido que demora, em média, 15 a 20 minutos. A recolha é feita sob sedação ligeira, para que não sinta qualquer dor ou desconforto. O médico utiliza uma agulha muito fina, com o apoio de uma ecografia, para recolher os óvulos.

Após o procedimento, fica na clínica durante algumas horas para repousar (com direito a um lanchinho). Na maioria dos casos, é costume retomar a rotina normal no dia seguinte, embora possa sentir algum inchaço ou ligeiro desconforto abdominal.

 

O que acontece no laboratório

 

Depois da recolha dos óvulos, a equipa de embriologia dá início à fase seguinte do tratamento, em que os óvulos são fecundados com os espermatozoides do dador, através da técnica de ICSI, na qual um único espermatozoide é minuciosamente introduzido em cada óvulo.

Nos dias seguintes, os embriões são acompanhados de perto à medida que se desenvolvem no ambiente controlado do nosso laboratório. O objetivo é que atinjam o estado de blastocisto, normalmente entre o quinto e o sexto dia de desenvolvimento. Um blastocisto é um embrião que desenvolveu uma estrutura específica com potencial de implantação e de evolução para uma gravidez. Recorremos a tecnologia avançada que permite monitorizar o desenvolvimento embrionário de forma contínua, sem necessidade de retirar os embriões do incubador, garantindo um ambiente estável e seguro.

Preparação da mãe gestacional

Enquanto a mãe genética passa pela recolha dos óvulos, a parceira que irá levar a gravidez começa também a sua preparação. Nesta fase, o seu papel é preparar o endométrio (revestimento do útero) para receber o embrião.

Envolve a toma de medicação hormonal, como estrogénio e progesterona, para criar um ambiente espesso e saudável para o embrião. Da nossa parte, avaliamos a espessura e as condições do endométrio, através de ecografias. Quando o útero estiver devidamente preparado, é possível agendar a transferência embrionária.

A transferência embrionária

Este é, para muitos casais, um dos momentos mais emocionais do tratamento. É um procedimento simples e rápido. O médico utiliza um cateter fino para colocar o embrião no interior do útero da mãe gestacional. A sensação é semelhante à de um exame ginecológico de rotina.

Não é necessária sedação e ambas podem estar presentes durante o procedimento. Podem também ver, no ecrã da ecografia, o local onde o embrião é colocado. Após a transferência, recomenda-se apenas que a mãe gestacional repouse nas primeiras 24 horas. Fora isso, pode continuar com a rotina diária normal.

A espera de duas semanas

Esta é, para muitas pessoas, a fase mais desafiante do tratamento.  É o período entre a transferência embrionária e o teste de gravidez. É normal que nestes 14 dias sinta uma mistura de entusiasmo e ansiedade.

Durante este tempo, é importante cuidarem de vós próprias e uma da outra. Duas semanas após a transferência, realizamos uma análise ao sangue para detetar a hormona hCG e confirmar a gravidez.

Uma história real de ROPA: entrevista com um casal da Ferticentro

Por vezes, a melhor forma de compreender o processo do método ROPA é ouvir quem já passou por essa experiência. Falámos, recentemente, com a Liliana e a Raquel, um casal que realizou o seu tratamento na Ferticentro e que hoje celebra a chegada do seu bebé.  Eis o que o casal partilhou connosco:

Como foi o vosso percurso enquanto casal antes do tratamento ROPA?

“Antes de decidirmos fazer o tratamento ROPA, fomos sempre muito próximas enquanto casal e sabíamos que queríamos construir uma família. Conversamos bastante sobre os nossos medos e expectativas, e percebemos que era possível em Portugal tornar esse sonho realidade.”

Porque escolheram o método ROPA em vez de outros tratamentos de FIV?

“Escolhemos o método ROPA porque nos permite partilhar a maternidade de forma única: uma de nós fornece os óvulos e a outra carrega a gestação. Achámos que era a forma mais equilibrada e significativa de vivermos este sonho juntas.”

Como decidiram quem forneceria os óvulos e quem seria a gestante?

“Essa decisão para nós foi fácil, falámos sobre fatores médicos e emocionais. Considerámos a idade, a saúde e o desejo de cada uma de nós em estar grávida, e chegamos a um consenso que nos deixou confortáveis com o processo.”

Como foi a vossa experiência com a equipa da Ferticentro?

“A equipa da Ferticentro foi incrível desde o primeiro momento. Sentimo-nos acolhidas, ouvidas e acompanhadas em cada etapa do tratamento. A confiança e profissionalismo deles fizeram toda a diferença.”

Tinham alguns medos ou dúvidas no início e como os superaram?

“No início, houve medo do desconhecido e da possibilidade de não resultar. Mas cada consulta, cada explicação detalhada da equipa médica e o apoio mútuo ajudaram-nos a superar essas dúvidas e a seguir em frente com confiança.”

Conseguem descrever o momento em que descobriram que o tratamento tinha dado certo?

“Foi um momento de pura emoção e alegria. Não conseguimos conter as lágrimas ao ver o resultado positivo. Foi a concretização de um sonho pelo qual lutamos juntas durante muito tempo , e sentimos uma felicidade indescritível.”

Como é que o processo do tratamento ROPA influenciou o vosso relacionamento?

“O processo aproximou-nos ainda mais. Tivemos de confiar uma na outra e apoiar-nos mutuamente em todas as etapas. Tornou-nos mais fortes enquanto casal e mostrou-nos o quanto podemos contar uma com a outra.”

Qual seria a vossa mensagem para outros casais com dúvidas sobre o método ROPA?

“Não tenham medo de procurar informação e apoio. Cada casal é único, mas o ROPA pode ser uma experiência muito positiva e transformadora. O mais importante é estarem unidas e falarem abertamente sobre expectativas e receios.”

O que gostariam que mais pessoas entendessem sobre o ROPA?

“Que é uma forma legítima e amorosa de construir família. Não é apenas sobre questões médicas; é também sobre amor, parceria e o desejo de gerar vida juntas.”

Têm dicas para futuras pacientes que estejam a ponderar passar pelo processo do ROPA?

“Preparem-se emocionalmente, conversem muito entre vocês e confiem na equipa médica. É um processo que exige paciência, mas cada passo vale a pena.”

Olhando para trás, o que sentem sobre o caminho percorrido com a Ferticentro e o que significou para a vossa família?

“Sentimo-nos muito gratas pelo apoio e profissionalismo da Ferticentro, de toda a equipa sem excepção, que tanto lutaram connosco e que acreditaram que o nosso sonho iria chegar. A jornada foi dura e intensa, mas cada momento fez parte da construção da nossa família, e guardaremos estas memórias para sempre, sem a Ferticentro nada seria possível, e estamos eternamente gratas pela concretização do nosso maior sonho.”

Apoio ao bem-estar emocional

Tal como a Liliana e a Raquel referiram, o processo dos tratamentos ROPA vai muito além das consultas médicas. É também uma experiência emocional intensa.

É natural sentir pressão ou receio em relação ao resultado. Queremos que saiba que não tem de lidar com estas emoções sozinha. Na Ferticentro, disponibilizamos apoio psicológico especializado a todos os nossos pacientes.

Este acompanhamento pode ajudar a organizar pensamentos e a gerir a ansiedade associada aos períodos de espera. Muitos casais referem que ter um espaço dedicado para falar sobre as suas emoções contribui para manter a ligação entre ambas e para atravessar o processo com maior resiliência.

Perguntas frequentes sobre o método ROPA

Quando se começa a explorar a maternidade partilhada, é natural surgirem muitas dúvidas. Estas são algumas das questões que nos colocam com mais frequência.

Qual é a taxa de sucesso do método ROPA?

As taxas de sucesso do método ROPA são bastante encorajadoras. Como o processo é semelhante ao da FIV convencional, os resultados dependem sobretudo da idade e da reserva ovárica da parceira que fornece os óvulos. Na Ferticentro, fazemos sempre uma avaliação individualizada e transparente, para que tenham uma noção realista das probabilidades de sucesso no vosso caso específico.

Quais são as exigências físicas do tratamento?

Ambas as parceiras têm envolvimento físico no processo. A mãe genética passa pela estimulação ovárica e pela recolha dos óvulos. A mãe gestacional toma medicação para preparar o útero e, naturalmente, vive a gravidez e o parto.

Acompanhamos ambas de perto para garantir conforto e segurança em todas as etapas. Na maioria dos casos, é possível manter a rotina diária, com pequenos ajustes de maior repouso nos momentos mais importantes do tratamento.

E se quisermos ter mais do que uma criança?

Esta é uma questão importante e faz sentido ponderá-la desde o início. Durante a recolha dos óvulos, é comum recolher óvulos suficientes para gerar vários embriões viáveis. Os embriões saudáveis que não forem utilizados podem ser criopreservados.

Isto permite que, no futuro, possam realizar uma nova transferência embrionária sem necessidade de repetir todo o processo de estimulação e recolha. Neste caso, basta a fase de preparação do útero para uma nova transferência. Alguns casais optam também por trocar de papéis numa gravidez seguinte, embora a outra parceira precise de realizar um novo ciclo de estimulação.

Gestão da logística

Sabemos que, para muitos casais, vir até à Ferticentro implica algumas viagens. Quer venham de outra zona do país ou do estrangeiro, tentamos facilitar a logística ao máximo.

Não precisa de passar o tempo inteiro em Coimbra. Sempre que viável, articulamos os exames, como as análises ao sangue ou ecografias, com médicos na sua localização. Desta forma, só é necessário deslocar-se à Ferticentro nos momentos mais importantes do tratamento, como a recolha dos óvulos e a transferência embrionária. As nossas gestoras de pacientes acompanham todo o planeamento, ajudando a organizar consultas, exames e deslocações de forma compatível com a vossa vida.

A importância de uma equipa de apoio próxima

Ao entrar na Ferticentro, irá encontrar uma equipa multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, embriologistas e gestoras de pacientes. Todos partilham o mesmo objetivo: ajudá-la a construir a sua família.

Acreditamos numa abordagem próxima e acessível. Queremos que se sinta à vontade para nos ligar ou enviar um email sempre que quiser partilhar dúvidas. Para nós, não são apenas número numa tabela, são um casal com um objetivo muito especial, do qual temos muito orgulho de fazer parte.

Próximos passos

Se sente que o método ROPA pode ser o caminho certo para si, o próximo passo é marcar uma consulta. Esta primeira conversa não implica qualquer compromisso. Serve apenas para conhecer a equipa, esclarecer dúvidas e perceber o que acha da clínica.

A consulta pode ser realizada presencialmente ou por videochamada. Falaremos sobre os vossos objetivos, explicaremos o processo com mais detalhe e ajudaremos a definir um plano ajustado à vossa situação.

O método ROPA é uma forma fantástica de iniciar uma família. É um caminho feito de experiências e apoio mútuo. Na Ferticentro, temos acompanhado em primeira mão o quão transformativo este processo pode ser, e estaremos sempre ao vosso lado, em todas as etapas.