FIV: quando iniciar e procurar ajuda para engravidar

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17 Dez 2025

Uma decisão pessoal

Iniciar um tratamento de fertilidade é uma das decisões mais pessoais que pode tomar. Se tem pensado se este será o momento certo, saiba que não está sozinha. Cerca de 1 em cada 6 casais enfrenta dificuldades relacionadas com a fertilidade. Perceber quando procurar ajuda pode fazer uma grande diferença nas probabilidades de sucesso.

Falámos com a Dra. Giselda Carvalho, especialista em Ginecologia e Obstetrícia na Ferticentro, para responder às perguntas que a maioria dos casais faz quando considera a FIV e outros tratamentos de fertilidade. Para saber mais sobre como funciona o processo de FIV, leia o nosso guia de FIV para iniciantes.

Quando deve procurar ajuda para engravidar?

A recomendação geral é: se já tenta engravidar naturalmente há 12 meses sem sucesso, está na altura de consultar um especialista. No entanto, este prazo pode variar consoante a sua situação.

A Dra. Giselda explica que procurar aconselhamento mais cedo pode fazer a diferença.

“As intervenções simples podem, muitas vezes, fazer uma grande diferença em poucas semanas.”

Calendário de secretária que representa o cronograma de fertilidade, ilustrando quando procurar ajuda após 12 meses a tentar engravidar ou 6 meses se tiver mais de 35 anos

Sinais de que deve consultar um especialista em fertilidade mais cedo

Alguns fatores indicam que deve procurar aconselhamento especializado antes do período de espera habitual. Não são motivos para preocupação, mas são razões para agir mais cedo.

A idade é o fator mais importante. Se tiver mais de 35 anos, o tempo para engravidar é naturalmente mais curto. A qualidade e a quantidade de óvulos (reserva ovárica) diminuem com a idade, por isso a recomendação passa para 6 meses de tentativas, em vez de 12.

As irregularidades menstruais também são importantes. Sintomas como ciclos irregulares, ausência de menstruação ou hemorragia uterina anormal podem indicar problemas que afetam a ovulação e a gravidez. Vale a pena investigar estes sinais o quanto antes.

O historial médico pode dar pistas importantes. Se já fez cirurgia pélvica, foi diagnosticada com endometriose, teve infeções pélvicas recorrentes ou tem antecedentes familiares de cancro ginecológico, uma avaliação prévia pode ajudar a identificar possíveis obstáculos.

A fertilidade masculina é igualmente importante. As alterações na qualidade ou quantidade de espermatozoides podem afetar significativamente as probabilidades de uma gravidez natural. Leia o nosso guia sobre como melhorar a qualidade do esperma de forma natural.

Estas situações não significam necessariamente que precisará de recorrer à FIV. Significam apenas que uma avaliação atempada pode evitar meses de incerteza e ajudar a perceber qual o melhor caminho a seguir.

Situações específicas: endometriose e outras condições ginecológicas

Mulher com dor menstrual intensa no sofá, ilustrando sinais de alerta como dismenorreia grave e irregularidades menstruais que justificam avaliação prévia da fertilidade por um especialista

A Dra. Giselda recomenda iniciar um acompanhamento ginecológico se sentir dores menstruais intensas (dismenorreia) ou tiver ciclos irregulares. O acompanhamento permite ao médico identificar possíveis problemas de fertilidade antes de se tornarem mais complexos.

Se foi diagnosticada com endometriose ou suspeita que possa ter esta condição, procurar apoio para engravidar torna-se ainda mais importante.

A endometriose pode afetar a fertilidade de várias formas. Pode:

  • criar inflamação que interfere na forma como óvulo e espermatozoide interagem
  • danificar as trompas de Falópio ou os ovários
  • causar cicatrizes ou aderências que afetam o funcionamento dos órgãos reprodutivos
  • reduzir a qualidade dos óvulos, especialmente quando existem endometriomas (um tipo de quisto ovárico que se forma quando cresce tecido endometrial nos ovários)
  • tornar as relações sexuais dolorosas, o que pode levar a relações menos frequentes

Quanto mais cedo estes fatores forem identificados e tratados, maiores serão as probabilidades de engravidar, seja naturalmente ou através de tratamentos de fertilidade.

Lembre-se: não precisa de esperar até estar ativamente a tentar engravidar. Se sabe que tem uma condição que pode afetar a sua fertilidade, vale a pena falar com um especialista sobre as suas opções, mesmo que a gravidez ainda esteja a alguns anos de distância.

Tratamentos de fertilidade disponíveis em Portugal

Saber quais são os tratamentos disponíveis ajuda a fazer com que se sinta mais preparada para falar com um especialista. Em Portugal, existem todas as principais opções de tratamento de fertilidade, cada uma indicada para situações diferentes.

Inseminação intrauterina (IIU)

A IIU é frequentemente o primeiro passo no tratamento da infertilidade. Trata-se de um procedimento relativamente simples em que os espermatozoides cuidadosamente selecionados e preparados (do parceiro ou de um dador) são colocados diretamente no útero na altura da ovulação.

Quando a IIU é recomendada:

O processo é menos invasivo do que a FIV e pode ser um bom ponto de partida para muitos casais, especialmente para mulheres com menos de 35 anos.

Fertilização in vitro (FIV)

A FIV é geralmente recomendada quando outros métodos não tiveram sucesso ou quando são identificados problemas de fertilidade mais complexos. O processo da FIV envolve estimular os ovários para produzir vários óvulos, recolhê-los, fecundá-los em laboratório e transferir os embriões resultantes para o útero.

Situações em que a FIV é recomendada:

  • Trompas de Falópio bloqueadas ou danificadas
  • Infertilidade masculina moderada a grave
  • Endometriose que afeta a fertilidade
  • Infertilidade sem causa aparente após outros tratamentos
  • Idade materna avançada
  • Vários ciclos de IIU sem sucesso

As taxas de sucesso da FIV dependem da situação individual de cada pessoa, mas as técnicas laboratoriais continuam a evoluir, o que tem contribuído para melhores resultados.

Recurso a um dador

A FIV pode ser realizada com óvulos ou espermatozoides de um dador quando um dos parceiros não pode utilizar os seus próprios gâmetas. Esta opção abre a possibilidade de ter filhos a muitas pessoas que, de outra forma, não conseguiriam engravidar, incluindo casais do mesmo sexo, pessoas solteiras e pessoas com condições médicas que afetam a fertilidade. Saiba mais sobre o banco de gâmetas da Ferticentro.

Teste genético pré-implantação (PGT)

O PGT permite aos médicos analisar os embriões para detetar alterações genéticas antes de serem transferidos para o útero. É especialmente relevante para casais com doenças genéticas conhecidas, abortos espontâneos recorrentes ou falhas repetidas de FIV.

Esta tecnologia ajuda a selecionar os embriões com maior probabilidade de originar uma gravidez saudável, mas não é indicada para todos os casos.

Leia o nosso guia sobre os diferentes tipos de rastreio de embriões para saber mais.

Compreender os custos dos tratamentos de fertilidade

Jovem casal em casa a analisar documentos e a calcular os custos dos tratamentos de fertilidade, avaliando opções de FIV e financiamento público ou privado.

O tratamento de fertilidade é um investimento financeiro, mas há opções mais acessíveis do que muitas pessoas imaginam.

Financiamento público em Portugal

Mulheres até aos 40 anos, que cumpram os critérios definidos, podem recorrer às unidades de procriação do Serviço Nacional de Saúde. Este apoio pode incluir até três ciclos de FIV ou outros tratamentos recomendados.

O sistema público oferece cuidados de elevada qualidade, mas os tempos de espera podem ser longos, o que é relevante, sobretudo quando a idade é um fator importante.

Tratamento de fertilidade no setor privado

Quando o financiamento público se esgota, ou se quiser avançar mais rapidamente, os centros privados de fertilidade são outra opção.

Os custos dos tratamentos de fertilidade no setor privado em Portugal são bastante mais baixos do que em muitos outros países. Isto torna os tratamentos acessíveis não só para residentes em Portugal, mas também para pacientes internacionais.

Na Ferticentro, os preços são apresentados de forma transparente desde o início, para que possa planear o tratamento sem surpresas financeiras.

A dimensão emocional dos tratamentos de fertilidade

A componente física do tratamento de fertilidade recebe muitas vezes mais atenção, mas a dimensão emocional é igualmente importante.

A Dra. Giselda explica que o apoio psicológico faz parte da abordagem da Ferticentro.

A psicóloga especializada em fertilidade trabalha em estreita colaboração com os pacientes, ajudando-os a lidar com os desafios emocionais do tratamento, a desenvolver estratégias de adaptação e a sentirem-se acompanhados em todas as fases do processo.

Desafios emocionais mais comuns

Entre as preocupações mais frequentes relatadas pelos pacientes estão:

  • Medo de o tratamento não resultar
  • Impacto na relação do casal
  • Dificuldade em lidar com a incerteza
  • Pressão relacionada com o tempo
  • Luto associado a perdas anteriores
  • Ansiedade em relação ao uso de óvulos ou espermatozoides de um dador

Estas preocupações são normais. Um tratamento de fertilidade envolve esperança, frustração, períodos de espera e, muitas vezes, várias tentativas. Não tem de enfrentar este processo sem ajuda.

O apoio emocional é tão importante como o acompanhamento médico quando está a construir a sua família. Ter apoio psicológico profissional significa que não precisa de carregar todo o peso deste processo.

Manter a ligação no casal durante o tratamento

O tratamento de fertilidade pode colocar pressão mesmo nas relações mais fortes. O processo é longo, emocionalmente exigente e cheio de incerteza. É completamente natural que sinta alguma sobrecarga.

Formas práticas de manter a ligação no casal

A Dra. Giselda partilha algumas recomendações práticas para casais que estão a passar por este processo:

Crie uma rede de apoio. Os amigos, familiares, grupos de apoio ou um psicólogo podem fazer uma grande diferença. Falar com pessoas que compreendem ou que simplesmente sabem ouvir ajuda muito. Não precisa de explicar tudo a toda a gente, mas ter alguém a quem recorrer é importante.

Confie na equipa médica. “Tentar controlar todos os resultados possíveis apenas aumenta os níveis de stress”, explica a Dra. Giselda. “Confiar que está a ter acompanhamento por uma equipa experiente permite ao casal concentrar-se um no outro, em vez de ficar consumido pela pressão do processo.”

Sejam compreensivos um com o outro. “Estão no mesmo lado”, reforça. Escolham a empatia em vez da culpa. Façam pausas quando precisarem e criem momentos de alegria que não tenham nada a ver com fertilidade. Estes momentos não são extras, são essenciais.

Mantenham uma comunicação aberta. Pressupor o que o parceiro está a pensar ou a sentir pode criar distância. Falem regularmente um com o outro. Por vezes, a conversa será sobre o tratamento, outras vezes sobre qualquer outra coisa. Ambos são importantes.

Um tratamento de fertilidade pode transformar a relação. Com atenção e cuidado, pode fortalecer o casal em vez de o afastar.

 

Fatores que podem influenciar o sucesso do tratamento

Mesmo com apoio médico, a gravidez não é garantida. Os tratamentos de fertilidade são eficazes, mas não funcionam para todas as pessoas em todas as tentativas. Compreender os fatores que podem influenciar o sucesso ajuda a definir expectativas realistas.

Falha de implantação

Por vezes, um embrião que aparenta estar saudável não consegue implantar-se no útero. Isto pode acontecer devido a:

  • fatores embrionários
  • fatores uterinos
  • questões imunológicas
  • ou problemas ao nível celular

A Ferticentro utiliza ferramentas de diagnóstico avançadas para investigar falhas de implantação quando ocorrem de forma repetida. Cada caso é diferente, e identificar a causa específica permite aplicar um tratamento mais direcionado.

Resposta negativa à estimulação ovárica

Algumas mulheres não respondem à medicação de estimulação como esperado, o que significa que são recolhidos menos óvulos. Pode ser frustrante, mas não significa que não existam outras opções.

A Dra. Giselda explica: “Ajustamos cuidadosamente os protocolos de estimulação com base no perfil hormonal e no histórico de resposta de cada mulher, o que permite, em determinados casos, acumular oócitos.”

Os protocolos podem ser ajustados entre ciclos. Por vezes, recolher menos óvulos ao longo de vários ciclos pode levar a melhores resultados do que tentar obter um número elevado num único ciclo.

O papel do estilo de vida

Casal ativo a praticar exercício ao ar livre, representando fatores de estilo de vida positivos, como a atividade física regular e a gestão do stress, que apoiam a fertilidade e melhoram os resultados da FIV

O estilo de vida, como a alimentação, o consumo de nicotina e de álcool, o stress e o exercício físico influenciam a fertilidade, mas o seu impacto é muitas vezes exagerado.

  • O consumo de nicotina reduz a qualidade dos óvulos e dos espermatozoides. Se fuma, deixar de fumar pode melhorar a fertilidade e os resultados do tratamento.
  • O consumo excessivo de álcool pode afetar o equilíbrio hormonal. Reduzir o consumo durante o tratamento é aconselhável, mas não precisa de eliminar completamente um copo ocasional para engravidar.
  • O stress crónico pode interferir com a ovulação e com a função sexual. Encontrar formas de gerir o stress pode ajudar. Dizer a alguém que está a tentar engravidar para “simplesmente relaxar” é pouco útil e pouco realista. Procure estratégias de gestão de stress que funcionem para si.
  • Uma alimentação desequilibrada e a falta de exercício podem afetar o peso e a saúde metabólica, fatores que influenciam a fertilidade. No entanto, não precisa de ser perfeito.

A Dra. Giselda resume bem este assunto: “Alguns pequenos ajustes podem ajudar a fertilidade e melhorar os resultados do tratamento, mas não é necessário ser perfeito. O objetivo é o progresso, não a perfeição.”

O estilo de vida raramente é a única causa da infertilidade. Vale a pena abordar o assunto, mas não explica tudo.

Mitos comuns sobre fertilidade e FIV

Ideias erradas sobre fertilidade e a reprodução assistida criam receios desnecessários e impedem muitos casais de procurar ajuda quando realmente precisam.

Mito: Engravidar é fácil em qualquer idade

Muitas pessoas sobrestimam a facilidade de engravidar e subestimam a rapidez com que a fertilidade diminui com a idade. Adiar a gravidez para o final dos 30 ou depois dos 40 reduz significativamente as probabilidades de uma gravidez natural e aumenta a probabilidade de precisar de tratamentos de fertilidade.

Não se trata de pressão ou julgamento. Trata-se de ter informação correta para tomar decisões informadas sobre a sua reprodução.

Mito: A FIV é apenas para casos de último recurso

Os tratamentos de fertilidade são muitas vezes vistos como demasiado complexos, invasivos ou apenas para situações desesperadas. Na realidade, procurar aconselhamento e apoio mais cedo pode fazer uma grande diferença.

A FIV não é um fracasso do corpo nem da relação. É uma ferramenta médica que ajuda milhões de pessoas a criar família.

Mito: O aborto espontâneo é raro e significa que algo está muito errado

O aborto espontâneo é relativamente comum e é, muitas vezes, uma parte pouco falada da experiência de fertilidade. Tem um grande impacto emocional e merece apoio e reconhecimento adequados.

Ter um aborto espontâneo não significa que não venha a ter uma gravidez bem sucedida. Significa, no entanto, que deve ter acompanhamento médico e apoio emocional adequados.

 

Quebrar os tabus em torno dos tratamentos de fertilidade

Os tratamentos de fertilidade eram, no passado, temas sensíveis ou até tabu, mas hoje são muito mais aceites. Cerca de 1 em cada 6 casais enfrenta dificuldades de fertilidade e um número crescente recorre a tratamentos.

Hoje em dia, quase toda a gente conhece alguém que passou por tratamentos de fertilidade ou que se tornou pai ou mãe graças a eles. Esta maior familiaridade reduz o estigma e facilita a procura de ajuda.

A Dra. Giselda acredita que a informação e a educação contínuas são importantes: “Quando as pessoas se sentem confortáveis a falar sobre estes temas, é mais provável que procurem aconselhamento especializado no momento certo, o que pode aumentar significativamente as probabilidades de sucesso.”

Menos estigma ajuda as pessoas a sentirem-se apoiadas e incentiva a procurar ajuda mais cedo. Ambos os fatores contribuem para melhores resultados para os casais que enfrentam dificuldades de fertilidade.

Dar o próximo passo

Se tem pensado se este é o momento certo para procurar apoio em fertilidade, a resposta provavelmente é sim.

Consultar um especialista não significa que tenha de iniciar um tratamento. Significa obter informação sobre a sua situação específica, as opções disponíveis e o sobre a melhor altura para si. Esse conhecimento ajuda a tomar decisões com clareza, em vez de incerteza.

Na Ferticentro, a equipa sabe que dar este passo exige coragem. Terá o acompanhamento de profissionais experientes com conhecimento médico e empatia genuína pelo que está a viver.

Quer esteja apenas a explorar as suas opções ou queira iniciar um tratamento, o primeiro passo é entrar em contacto. Não tem de passar por isto sem ajuda. Contacte-nos para marcar a sua consulta inicial.