1. Selecção da dadora
A dadora é seleccionada pela clínica tendo por base critérios médicos muito restritos, após um rigoroso processo prévio de selecção e exclusão de doenças genéticas e avaliação psicológica. Para a seleccção da dadora, são também consideradas as características físicas (fenotipo) do casal.
2. Tratamento da dadora
A dadora é sujeita a um tratamento de estimulação ovárica (administração de injecções hormonais subcutâneas) durante uma a duas semanas. A estimulação é controlada por ecografias e análises ao sangue, e a punção dos óvulos é feita sob sedação.
3. Tratamento da receptora
O tratamento da receptora pode ser feito segundo vários protocolos terapêuticos, dependendo essencialmente do facto de ter ou não ciclos menstruais. Numa ou outra situação, é sempre necessária a toma de medicamentos (comprimidos e em alguns casos uma única injecção no início do ciclo) e a realização de ecografias de controlo e avaliação.
Nesta fase de preparação - que tem a duração de cerca de 15 dias e que nos casos de ciclos sincronizados decorre ao mesmo tempo que a estimulação da dadora – existe sempre uma estreita comunicação entre o casal e a Ferticentro.
4. FIV/ICSI e transferência de embriões
Tal como acontece na FIV/ICSI com gamelas do casal, após a punção da dadora os ovócitos são transferidos para meios de cultura no laboratório, sendo de seguida tratados e microinjectados com um espermatozóide cada (isto é, um espermatozóide por cada óvulo). Os ovócitos passam para outros meios de cultura, dando origem a embriões.
Entre dois a três dias após a fecundação, os embriões (normalmente apenas dois) são transferidos para o útero da mulher, para que se implantem e dêem origem a uma gravidez. A lei Portuguesa define que se possam transferir o máximo de dois embriões, mas esta é sempre uma decisão clínica e cada caso terá de ser avaliado individualmente. Nos casos em que existem vários embriões de boa qualidade a transferência poderá ser feita ao quinto dia, não tendo os casais qualquer custo adicional com a cultura prolongada
Os embriões são transferidos para o interior do útero, não sendo necessária anestesia. É recomendável que após a transferência de embriões a mulher evite esforços físicos intensos e, se possível, repouse em casa durante pelo menos 3 dias.
Ainda que dos embriões transferidos normalmente apenas um se implante, deverão ter em consideração que em algumas ocasiões se podem implantar os dois, dando origem a uma gravidez múltipla. Por este mesmo motivo, o número de embriões a transferir deverá sempre uma decisão clínica e adequada ao caso concreto de cada paciente.
Desde o dia que antecede a transferência, a receptora começa a aplicar progesterona (em comprimidos vaginais ou gel) de modo a preparar o endométrio para que a implantação dos embriões possa ser bem sucedida.
É recomendável que após a transferência de embriões sejam evitados esforços físicos intensos e, se possível, que a mulher repouse em casa durante pelo menos 3 dias.
5. Criopreservação de embriões
Quanto aos embriões excedentários – aqueles que não foram utilizados no tratamento e apresentem condições de viabilidade – podem ser congelados e utilizados num ciclo a realizar posteriormente (nos casos em que o casal pretende ter um segundo filho, ou se a primeira tentativa falhar); podem ser doados para investigação científica; podem ser doados a outro casal; ou podem ser destruídos. cabendo ao casal a decisão sobre o seu destino - desde que respeitadas as condições previstas na lei.