Os embriões obtidos após a realização de um ciclo de FIV ou ICSI e que não são transferidos para o útero da mulher são criopreservados no interior de palhetas especiais e guardados em contentores de azoto líquido, a uma temperatura de -196 ºC.
Para que a criopreservação possa ocorrer, os embriões são guardados no interior de um líquido crioprotector especial, que os protege contra eventuais danos que o processo de criopreservação possa provocar.
Nem todos os embriões são susceptíveis de serem criopreservados: só os que se tiverem desenvolvido normalmente e que não apresentem níveis significativos de fragmentação é que têm condições para passar pelo processo de congelação e descongelação.
É também importante que os casais tenham a noção de que, mesmo com todos os cuidados de segurança, há embriões que não sobrevivem ao processo de criopreservação e descongelação para utilização em novo ciclo de tratamento. É por esta razão que por vezes pode ser necessário descongelar mais embriões que aqueles que se está a pensar transferir nos ciclos de tratamento com transferência de embriões criopreservados.
As probabilidades de sucesso dos ciclos de tratamento que envolvem a utilização de embriões criopreservados são mais baixas que as dos ciclos com embriões frescos.
Segundo os relatórios internacionais mais recentes, as taxas de sucesso para os ciclos com transferência de embriões criopreservados (gravidez clínica confirmada ecograficamente por transferência de embriões) foram de cerca de 22% (Registos Europeus da ESHRE), para embriões provenientes de FIV ou ICSI.
Em 2009, na Ferticentro, a taxa de gravidez clínica confirmada ecograficamente por transferência de embriões dos ciclos com transferência de embriões criopreservados foi de 18%, contabilizando todos os casais, de todas as idades e causas de infertilidade, incluindo os casos de espermatozóides recolhidos por biópsia testicular.
Embora muitas vezes as taxas de sucesso dos tratamentos de PMA tendam a ser consideradas demasiado baixas, não nos devemos esquecer que nas situações em que há concepção natural a probabilidade de sucesso é semelhante: apenas 20 a 30% das tentativas resultam em gravidez.
Por outro lado, é importante que os casais tenham em conta que a probabilidade de terem realmente um filho é ligeiramente mais baixa pois, tal como acontece nos casos em que a concepção se faz do modo natural, algumas mulheres não conseguem levar a gravidez a termo e correm o risco de abortar espontaneamente.
Segundo todas as normas de orientação clínica internacionalmente aceites, há um limite para o número de embriões a transferir em cada ciclo de FIV ou ICSI, relacionado com a necessidade de se evitar os riscos associados a uma gravidez múltipla (de gémeos, trigémeos ou por vezes até mais fetos).
Normalmente, para mulheres com menos de 35 anos e que estejam a fazer um ciclo de PMA pela primeira vez, é aconselhável que não se transfiram mais que dois embriões no ciclo de tratamento. Ou seja, de entre os embriões produzidos durante o procedimento de FIV ou ICSI, seleccionam-se os melhores (há critérios técnicos relacionados com características morfológicas e de desenvolvimento que ajudam a escolher os embriões) para serem transferidos para o útero e criopreservam-se os restantes, desde que sejam também considerados viáveis e possuam condições para poderem ser utilizados num tratamento futuro.
No entanto, é aos casais que cabe a decisão sobre o destino a dar a estes embriões excedentários: a criopreservação só é feita se o casal assim o desejar, salvo eventuais condicionamentos legislativos.
Depois de criopreservados, os embriões são armazenados na Ferticentro em contentores de azoto líquido próprios para o efeito, cabendo aos casais o pagamento de uma anuidade para ajudar nas despesas de manutenção.
A criopreservação de embriões tem a vantagem de, caso os casais decidam fazer um novo ciclo de tratamento (para terem outro filho ou porque a primeira tentativa falhou), não necessitam de voltar a passar pelo dispendioso e por vezes difícil processo de estimulação ovárica (injecções de medicamentos estimuladores da ovulação), punção para recolha de ovócitos e subsequente fertilização pelo método de ICSI ou FIV.
Nos ciclos com embriões criopreservados não existem os riscos relacionados com o uso dos medicamentos estimuladores da ovulação ou o risco do Síndroma de Hiperestimulação Ovárica.
Caso os casais decidam que já não vão utilizar os embriões que se encontram criopreservados na Ferticentro, existem as seguintes possibilidades, cabendo sempre a decisão ao casal:
> Os embriões poderão ser doados a outro casal, sendo a doação gratuita e sem quaisquer contrapartidas financeiras
> Os embriões podem ser doados para investigação científica
> Os embriões podem ser destruídos
A Ferticentro contacta anualmente todos os casais que possuem embriões criopreservados nas nossas instalações.
É importante que os casais com embriões criopreservados na Ferticentro comuniquem à clínica eventuais alterações de morada ou contactos telefónicos.
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