Gripe A (H1N1) e tratamentos de PMA

Nos últimos dias temos sido contactados por várias das nossas grávidas e casais em tratamento, que nos manifestam alguma preocupação sobre os potenciais efeitos do vírus da gripe A (H1N1) na gravidez.

De facto, esta é uma matéria sensível e que nem sempre tem sido tratada do modo mais rigoroso pela comunicação social. Assim, a Ferticentro gostaria de deixar alguns esclarecimentos que acreditamos serem suficientes para tranquilizar todos os que se preocupam com esta questão.

Tanto quanto foi tornado público até agora, a nível mundial o H1N1 só causou problemas em grávidas que tinham doenças graves. Nas restantes grávidas não se verificaram complicações diferentes das que ocorrem na população em geral.

Em Portugal tem-se observado que o H1N1 é um vírus altamente contagioso, mas a gripe que provoca é de sintomatologia relativamente ligeira (inclusive, menos agressiva e com menos complicações que uma gripe sazonal "normal") - as pessoas infectadas são internadas nos hospitais apenas para evitar o contágio e não porque a sua situação clínica assim o justifique. Mesmo nestes casos, logo que o diagnóstico é estabelecido os doentes regressam a casa.

Não nos parece que a eventual ocorrência de uma epidemia de gripe A justifique o adiamento dos tratamentos de Procriação Medicamente Assistida, pois no caso da gripe A os riscos para a saúde da grávida são os mesmos que ocorrem numa gripe sazonal "normal", que existe desde sempre e à qual todas as grávidas estão potencialmente expostas!

Além disso, as grávidas estarão entre os grupos de doentes considerados prioritários para vacinação e administração dos medicamentos antivirais.

Ou seja, esta é uma situação em relação à qual é necessária alguma serenidade - os riscos da gripe A na gravidez são iguais aos riscos de qualquer gripe na gravidez.

Assim, não faz sentido adiar a gravidez por causa da gripe A - aliás, é importante que não nos esqueçamos de que a fertilidade diminui com a idade e que quanto mais cedo for feito o tratamento, maiores serão as probabilidades de êxito deste.

Segundo a Direcção-Geral da Saúde, na grávida as indicações, o esquema terapêutico e o esquema profilático pós-exposição são os mesmos da população em geral.

Os antivirais que são utilizados na infecção H1N1 - Oseltamivir (Tamiflu) e Zanamivir (Relenza) - são fármacos de categoria C na gravidez (ou seja, só devem ser utilizados depois de uma rigorosa avaliação do risco).

Nas mulheres que amamentem não é necessário suspender a amamentação durante a terapêutica ou profilaxia com antivirais, porque os dados actualmente disponíveis mostram que estes fármacos apresentam uma baixa concentração no leite.

Deixamos também algumas recomendações emitidas pela Direcção-Geral da Saúde e que podem ser consultadas aqui.

O que as mulheres grávidas precisam de saber acerca do novo vírus da gripe A(H1N1)

E se eu estiver grávida e contrair esta nova gripe?

Tal como acontece no caso da gripe sazonal "normal" e para quase todas as outras doenças, as mulheres grávidas têm maior probabilidade de ter complicações com a gripe A, mas não há evidência de que as mulheres grávidas tenham maior probabilidade de contrair esta infecção. É importante que saiba que se ficar doente pode fazer o mesmo tratamento que o resto da população.

O que posso eu fazer para me proteger a mim, ao meu bebé e família?

Não existe actualmente vacina para esta infecção. As medidas preventivas são muito importantes: Siga estes passos para prevenir a propagação de vírus e proteger a sua saúde:

Cubra o nariz e a boca com um lenço de papel sempre que tosse, espirra ou alguém o faz perto de si. Deite o lenço no lixo após a utilização;

Lave frequentemente as mãos, com água quente e sabão, durante 40 a 60 segundos, especialmente depois de um espirro ou tosse. Se utilizar um gel de lavagem de mãos à base de álcool, não adicione água e espalhe o gel nas mãos até que evapore/seque;

Em ambientes muito movimentados, evite tocar nos olhos, nariz e boca, antes de lavar as mãos. O vírus também se propaga deste modo;

Evite o contacto com pessoas doentes. Reduza as suas saídas;

Se for indicada a sua utilização, use correctamente as máscaras faciais.

Quais os sintomas de gripe A(H1N1)?

Os sintomas são parecidos com os da gripe sazonal habitual e incluem o seguinte:

Febre;

Tosse;

Dores de garganta;

Dores musculares;

Dores de cabeça;

Rash cutâneo;

Arrepios e fadiga;

Por vezes diarreia e vómitos.

O que devo fazer se ficar doente?

Se teve contacto próximo com alguém infectado com a gripe A, ou que esteja a ser tratado por exposição ao vírus da gripe A(H1N1), contacte a Linha “Saúde 24” (808 24 24 24) e esclareça se precisa de tratamento para reduzir as hipóteses de adoecer com a gripe. Se houver casos de gripe A(H1N1) na sua comunidade preste atenção especial ao seu corpo e ao que está a sentir. Se sentir sintomas ligeiros de gripe, permaneça em casa, limite o contacto com outras pessoas e telefone para a Linha “Saúde 24” (808 24 24 24).

Como é tratada esta gripe?

Trate a febre. Manter a temperatura dentro dos seus valores habituais é muito importante
para o seu bebé. O Paracetamol é o melhor tratamento para a febre durante a gravidez e
pode ser tomado 1gr de 8/8horas. Se tiver dúvidas pode ligar para a Linha “Saúde 24”
(808 24 24 24).
Beba água, ou outros líquidos, em abundância para repor os que perdeu por estar doente.
Os medicamentos antivirais como o Tamiflu® (oseltamivir) ou Relenza® (zanamivir) só devem ser utilizados sob prescrição médica. Não estão descritas complicações na grávida ou no feto com a utilização destes fármacos

Poderá encontrar mais informação sobre a gripe A no microsite da gripe da Direcção-Geral da Saúde (www.dgs.pt).

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