(artigo também disponível no portal Megabebés.pt)
Sabem o que é que mulheres como Madonna, Lisa Marie Presley, Gwen Stefani, Celine Dion e Mariah Carey (artistas pop), Nicole Kidman, Jane Seymour, Emma Thompson, Liz Hurley, Susan Sarandon, Mimi Rogers, Jerry Hall, Annette Bening, Brooke Shields, Geena Davis, Julianne Moore, Helen Hunt, Holly Hunter, Salma Hayek, Helena Bonham Carter, Halle Berry, Gillian Anderson, Monica Bellucci e Julia Roberts (actrizes), Helen Fielding (escritora, autora de "O Diário de Bridget Jones" ou "A imaginação hiperactiva de Olivia Joules"), Cherie Blair (mulher de Tony Blair) ou Sarah Brown (mulher de Gordon Brown) têm em comum? Sim, adivinharam: todas foram mães após os 40 anos. São mulheres como todas as outras, de carne e osso, que conseguiramconcretizar o seu sonho, mesmo numa idade mais avançada.
No entanto, não devemos pensar que as coisas são fáceis: a partir dos 40 as probabilidades de se conseguir uma gravidez natural diminuem acentuadamente e, mesmo através das modernas técnicas de fecundação in vitro as coisas podem não ser imediatas. Muitas das mulheres referidas na listagem anterior só conseguiram ser mãesapós várias tentativas ou recorrendo a doação de óvulos por parte de voluntárias jovens e saudáveis.
Além disso, é importante frisar que a gravidez após os 40 anos é um acontecimento de maior risco, pois a probabilidade de ocorrência de complicações como hipertensão ou diabetes gestacional aumentasignificativamente a partir desta idade. No entanto, um acompanhamento obstétrico de boa qualidade e em proximidade permite resolver uma grande parte dos problemas que possam surgir, bem como minimizar os efeitos de eventuais complicações.
Há, portanto, razões para se manter viva a esperança - em Portugal a percentagem de crianças nascidas de mães com 40 ou mais anos de idade no universo total de nados-vivos cresceu quase 90 por cento nos últimos 10 anos, passando a representar cerca de 3,4% do total de nascimentos. Apesar de se tratar de valores residuais em termos absolutos (2297 crianças em 1999 e 3359 em 2009), este aumento impressiona mais se considerarmos a tendência dos últimos anos para a diminuição do total de nascimentos: 116.038 em 1999 contra 99.576 em 2009. O contributo dos tratamentos de Procriação Medicamente Assistida para estas estatísticas tem sido notável, pois aproximadamente no mesmo período aumentou 4,3 vezes o número de mulheres com mais de 40 anos que fizeram tratamentos. Ou seja, graças aos tratamentos de Medicina da Reprodução as mães com mais de 40 anos são cada vez mais e isso também contribui para aumentar a experiência obstétrica no acompanhamento deste tipo de gravidezes.
Se quer dedicar uma parte da ternura dos 40 à maternidade há um conjunto de aspectos que deve ter em conta:
- Em primeiro lugar, não deve perder tempo - a fertilidade das mulheres diminui após os 35 anos, sendo essa diminuição especialmente notória após os 40. A partir desta idade todos os meses contam e quanto mais cedo tentar engravidar, maiores serão as possibilidades de o conseguir - e o mesmo se passa com os tratamentos de infertilidade, cujas taxas de sucesso serão maiores se o tratamento for feito mais precocemente;
- Em segundo lugar, deve considerar todas as hipóteses: se o tratamento com os seus próprios óvulos tiver baixas possibilidades de êxito, o recurso a doação de óvulos é uma alternativa sólida, com provas dadas e com uma possibilidade de sucesso cerca de 10 vezes mais elevada. Nestes casos, embora não exista uma partilha de genes entre a mãe e a criança nascida, há toda uma relação que se estabelece durante a gravidez e no momento do parto, para além do facto do pai da criança o ser também em termos genéticos;
- Caso consiga engravidar, deve procurar um acompanhamento obstétrico de boa qualidade e preparar-se para uma gravidez especial, com níveis de repouso e cuidados acrescidos em relação às gravidezes que ocorrem em idades mais jovens;
- Por fim, deve estar emocionalmente preparada para a possibilidade das coisas não correrem bem - infelizmente a espécie humana não é uma das espécies mais férteis e nesta luta incessante que a Medicina diariamente trava com a Biologia nem sempre conseguimos vencer...
De qualquer modo, mesmo que ache que o seu tempo já passou há algum tempo, há razões para não perder a esperança: cada caso é um caso e, pelo menos até aos 50 anos, a Medicina da Reprodução tem muito provavelmente uma solução que lhe permite ter uma possibilidade real de vir a ser mãe. Na Ferticentrorecebemos diariamente mulheres com mais de 40 anos que lutam para serem mães e felizmente temos conseguido ajudar algumas centenas a concretizarem o seu sonho!
Dr. Vladimiro Silva
Responsável pelo Laboratório de Procriação Medicamente Assistida da Ferticentro
www.ferticentro.pt