Ferticentro
tem duvidas? 800 101 004coloque aqui a sua questão
Home A ferticentro Tratamentos Infertilidade Marcar Consulta Media Contactos Faq's
 
Notícias
Artigos
Na imprensa
Campanhas
 
Quando devo procurar ajuda
 
tem dúvidas? 800 101 004
 
Coloque aqui a sua questão
 
Facebook
 
 
 
Ferticentro na Newsletter de Associação Portuguesa de Fertilidade
07.12.2010

 

ENTREVISTA

  A newsletter de Dezembro da APF traz uma entrevista com o Dr. Vladimiro Silva, Director do Laboratório de PMA da Ferticentro   

Dezembro, 7, 2010        

Dr. Vladimiro Silva, Ferticentro - Centro de Estudos de Fertilidade

1)   Através da compilação de informação referente a 11 anos, de 1997 a 2007, para o Registo Nacional de Dados de Técnicas de Procriação Medicamente Assistida, quais as principais conclusões que destaca?
Ao longo deste período de tempo o número de tratamentos feitos em Portugal aumentou cerca de 6 vezes, o que é um avanço assinalável, pois significa que estamos a ajudar um número cada vez maior de casais. Além disso, temos taxas de sucesso acima da média europeia e com tendência para aumentarem, sem que isso implique um aumento dos riscos para os casais. É também importante referir que em Portugal fazemos todos os tipos de tratamento disponíveis, o que significa que nesta área da Medicina o nosso país é absolutamente autónomo, com resultados ao nível dos melhores a nível mundial - e isso explica porque é que, ao contrário do que sucede com vários outros países desenvolvidos, são raros os casos de casais portugueses que optem por fazer tratamento no estrangeiro.
Destaco também o facto de cada vez estarmos a tratar mulheres mais velhas - a proporção de tratamentos feitos a mulheres com mais de 40 anos aumentou 58% e o número absoluto desses tratamentos aumentou 4,3 vezes ao longo destes onze anos. Este é um fenómeno que evidentemente tem razões sócio-económicas complexas e que também surge em linha com o que sucede a nível europeu e até mundial.

2)   Portugal continua a estar na cauda da Europa relativamente à Procriação Medicamente Assistida? Porquê?
Não concordo nada com essa afirmação! Tal como referi anteriormente, relativamente à qualidade dos serviços Portugal está num excelente nível em todos os indicadores - e todos eles apresentam uma evolução favorável ao longo dos 11 anos de análise do registo. Além disso, há especialistas portugueses muito conceituados internacionalmente, que ocupam lugares de destaque nas sociedades científicas internacionais e que são revisores das principais revistas científicas nesta área.

3)      Em termos de ciclos de tratamento quantos foram realizados no período de 1997 a 2007 e como estamos comparativamente com a Europa?
Portugal tem claramente um grave problema de acesso aos tratamentos: se compararmos os resultados que obtivemos em 2007, que era o último ano para o qual existiam dados completos quando fizemos o nosso trabalho, com os dados do registo europeu mais recente (respeitante a 2005), verificamos que em Portugal fazíamos 512 ciclos por milhão de habitantes, enquanto a média europeia de 2005 era de 1115 ciclos - neste parâmetro estamos apenas acima da Albânia, Macedónia e Montenegro e abaixo dos restantes países… Por exemplo, na Dinamarca faziam-se 2209 ciclos por milhão de habitantes, mais do quádruplo que em Portugal - e seguramente que os portugueses não são mais férteis que os dinamarqueses!
Parece-me que as razões para este mau desempenho nesta área têm a ver com o elevado custo dos tratamentos - os serviços públicos de PMA estão a trabalhar no limite e com listas de espera significativas e para já não existe ainda um sistema de efectiva referenciação para o sector privado. Portugal é seguramente um dos países europeus em que os casais mais pagam para fazer um tratamento de PMA - mesmo quando recorrem a hospitais públicos os casais têm que suportar os custos da parte não comparticipada da medicação, cujo valor facilmente ultrapassa o do salário mínimo nacional.
Ou seja, temos no nosso país a situação paradoxal de dispormos de excelentes serviços e de um bom enquadramento legislativo, mas ao mesmo tempo não conseguimos garantir o acesso aos tratamentos de todos os que deles precisam.

4) Qual a representatividade dos nascimentos através das Técnicas de PMA no total de nascimentos em Portugal?
Segundo a nossa projecção, em 2007 os tratamentos de PMA terão sido responsáveis por cerca de 1,1% do total de nascimentos - este é um valor que está abaixo da média europeia e que mesmo assim é “favorecido” pelo facto da taxa de natalidade global ser baixa em Portugal. Se tivéssemos um número de filhos por mulher semelhante ao que existe em França ou nos países nórdicos esta percentagem seria ainda mais baixa.
Por outro lado, o aspecto positivo desta questão é que nos últimos 11 anos a percentagem de crianças PMA aumentou 5 vezes no nosso país e apresenta uma tendência de crescimento bastante acentuada. É notável verificar que no mesmo país em que o número de filhos por mulher todos os anos tem atingido mínimos históricos há um conjunto de pessoas que “rema contra a maré” e luta, muitas vezes desesperadamente e com todas as forças, para ter filhos - e bastaria que o acesso dos portugueses aos tratamentos de PMA atingisse valores iguais aos da média europeia para este número passar para mais do dobro!

 

ENTREVISTA

  A newsletter de Dezembro da APF traz uma entrevista com o Dr. Vladimiro Silva, Director do Laboratório de PMA da Ferticentro   

Dezembro, 7, 2010        

Dr. Vladimiro Silva, Ferticentro - Centro de Estudos de Fertilidade

1)   Através da compilação de informação referente a 11 anos, de 1997 a 2007, para o Registo Nacional de Dados de Técnicas de Procriação Medicamente Assistida, quais as principais conclusões que destaca?
Ao longo deste período de tempo o número de tratamentos feitos em Portugal aumentou cerca de 6 vezes, o que é um avanço assinalável, pois significa que estamos a ajudar um número cada vez maior de casais. Além disso, temos taxas de sucesso acima da média europeia e com tendência para aumentarem, sem que isso implique um aumento dos riscos para os casais. É também importante referir que em Portugal fazemos todos os tipos de tratamento disponíveis, o que significa que nesta área da Medicina o nosso país é absolutamente autónomo, com resultados ao nível dos melhores a nível mundial - e isso explica porque é que, ao contrário do que sucede com vários outros países desenvolvidos, são raros os casos de casais portugueses que optem por fazer tratamento no estrangeiro.
Destaco também o facto de cada vez estarmos a tratar mulheres mais velhas - a proporção de tratamentos feitos a mulheres com mais de 40 anos aumentou 58% e o número absoluto desses tratamentos aumentou 4,3 vezes ao longo destes onze anos. Este é um fenómeno que evidentemente tem razões sócio-económicas complexas e que também surge em linha com o que sucede a nível europeu e até mundial.

2)   Portugal continua a estar na cauda da Europa relativamente à Procriação Medicamente Assistida? Porquê?
Não concordo nada com essa afirmação! Tal como referi anteriormente, relativamente à qualidade dos serviços Portugal está num excelente nível em todos os indicadores - e todos eles apresentam uma evolução favorável ao longo dos 11 anos de análise do registo. Além disso, há especialistas portugueses muito conceituados internacionalmente, que ocupam lugares de destaque nas sociedades científicas internacionais e que são revisores das principais revistas científicas nesta área.

3)      Em termos de ciclos de tratamento quantos foram realizados no período de 1997 a 2007 e como estamos comparativamente com a Europa?
Portugal tem claramente um grave problema de acesso aos tratamentos: se compararmos os resultados que obtivemos em 2007, que era o último ano para o qual existiam dados completos quando fizemos o nosso trabalho, com os dados do registo europeu mais recente (respeitante a 2005), verificamos que em Portugal fazíamos 512 ciclos por milhão de habitantes, enquanto a média europeia de 2005 era de 1115 ciclos - neste parâmetro estamos apenas acima da Albânia, Macedónia e Montenegro e abaixo dos restantes países… Por exemplo, na Dinamarca faziam-se 2209 ciclos por milhão de habitantes, mais do quádruplo que em Portugal - e seguramente que os portugueses não são mais férteis que os dinamarqueses!
Parece-me que as razões para este mau desempenho nesta área têm a ver com o elevado custo dos tratamentos - os serviços públicos de PMA estão a trabalhar no limite e com listas de espera significativas e para já não existe ainda um sistema de efectiva referenciação para o sector privado. Portugal é seguramente um dos países europeus em que os casais mais pagam para fazer um tratamento de PMA - mesmo quando recorrem a hospitais públicos os casais têm que suportar os custos da parte não comparticipada da medicação, cujo valor facilmente ultrapassa o do salário mínimo nacional.
Ou seja, temos no nosso país a situação paradoxal de dispormos de excelentes serviços e de um bom enquadramento legislativo, mas ao mesmo tempo não conseguimos garantir o acesso aos tratamentos de todos os que deles precisam.

4) Qual a representatividade dos nascimentos através das Técnicas de PMA no total de nascimentos em Portugal?
Segundo a nossa projecção, em 2007 os tratamentos de PMA terão sido responsáveis por cerca de 1,1% do total de nascimentos - este é um valor que está abaixo da média europeia e que mesmo assim é “favorecido” pelo facto da taxa de natalidade global ser baixa em Portugal. Se tivéssemos um número de filhos por mulher semelhante ao que existe em França ou nos países nórdicos esta percentagem seria ainda mais baixa.
Por outro lado, o aspecto positivo desta questão é que nos últimos 11 anos a percentagem de crianças PMA aumentou 5 vezes no nosso país e apresenta uma tendência de crescimento bastante acentuada. É notável verificar que no mesmo país em que o número de filhos por mulher todos os anos tem atingido mínimos históricos há um conjunto de pessoas que “rema contra a maré” e luta, muitas vezes desesperadamente e com todas as forças, para ter filhos - e bastaria que o acesso dos portugueses aos tratamentos de PMA atingisse valores iguais aos da média europeia para este número passar para mais do dobro!

Entrevista retirada da Newsletter de Dezembro da Associação Portuguesa de Fertilidade

 
Partilhar
2011 © Ferticentro: Centro de Estudos de Fertilidade, SA
  design by Walk